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Aécio explica, mas não justifica

O senador Aécio Neves (PMDB-MG) chamou de trama ardilosa as acusões que pesam sobre ele em seu primeiro discurso na tribuna do Senado logo após  reassumir o seu mandato. Aécio é investigado em dois inquéritos pela Procuradoria-Geral da República por corrupção passiva e obstrução de Justiça em razão das delações da JBS.

Existe uma única pergunta que não quer calar. O que um Senador da República com reputação ilibada quer fazendo negócios com um “cidadão perigoso” da estirpe de Joesley?  Não entendo a santa ingenuidade da classe política brasileira, ninguém conseguiu identificar Joesley como elemento perigoso antes dessas delações. Por que só agora se envolvem em trama ardilosa? Fico sempre com uma pulga atrás da orelha, desde o tempo em que José Roberto Arruda fez um discurso se defendendo de acusações na tribuna do Senado e acreditei cegamente em sua defesa, poucos dias depois, percebi a importância da retórica.

ALGUNS TRECHOS DO DISCURSO DE AÉCIO

“Nesses dias tormentosos, em nenhum instante, absolutamente em nenhum instante, perdi a serenidade e o equilíbrio próprio daqueles que sabem exatamente a condução de seus atos”, afirmou.  “Não me furtarei de reiterar aqui aquilo que venho afirmando ao longo dessas últimas semanas: não cometi crime algum, não aceitei recursos de origem ilícita, não ofereci ou prometi vantagem indevida a quem quer que fosse, tampouco atuei para a obstrução de Justiça como afirmaram”.

Aécio negou que o caso fosse de corrupção. “Como alguém [Joesley] pode ter pago propina se não recebeu qualquer benefício ou teve a expectativa de recebê-lo? Mas isso passou a ser irrelevante”, disse. “Não houve envolvimento de dinheiro público e qualquer outra contrapartida, o que ficará cabalmente comprovado perante a Justiça”, afirmou.

“Não carrego mágoas, não carrego ressentimentos, olho para a frente (…). O país vive, sim, importante e inédito acerto de contas com a sociedade e com o mundo político. Temos de estar preparados para isso, mas separar o que é crime do que é atividade política”.

“Vamos continuar avançando em uma ousada agenda de reformas, razão do apoio do PSDB ao governo. Agenda que, apesar de todas as adversidades, continua sendo liderada pelo presidente”, afirmou.

( Reginaldo Silva com informações da Veja)

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