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De Bangu para o Leblon: a prova de que o crime compensa para alguns

A ex-primeira-dama do Rio de Janeiro, Adriana Anselmo, acusada de fazer parte da grande organização criminosa de Sergio Cabral foi presa no dia 6 de dezembro de 2016, por meio de investigação da operação Calicute. A operação investiga o esquema que seria chefiado pelo então governador que desviou mais de R$ 400 milhões de reais, segundo o Ministério Público Federal.

Em menos de 4 meses de prisão, Adriana Ancelmo deixou o endereço de Bangu para voltar a morar no Leblon, bairro nobre do Rio de Janeiro, um dos mais caros metros quadrados da cidade – em frente ao mar. A única punição para os crimes que ela é acusada é de ficar sem acesso ao telefone e internet. Lamentável, não? A prova que o crime compensa, claro para quem é rico e tem poder.

Na contramão da decisão que concede o privilégio da prisão domiciliar à Adriana, concedida por ela ter dois filhos menores de idade, são muitas as histórias de mães pobres que estão presas e com os filhos abandonados. São muitas as crianças que são amamentadas e criadas dentro de cárceres, e o que isso pode influenciar na vida de uma criança que não cometeu crime nenhum?

Mães com seus filhos nos presídios

Uma pesquisa da Fiocruz (2015) apresentou violações dos direitos humanos contra mães e gestantes presas em cadeias no Brasil. Segundo o estudo, na maioria dos casos, as gravidas só são transferidas para unidades prisionais específicas no terceiro trimestre da gestação. E muitas vezes, são levadas para o parto algemadas. O mais desumano: elas são obrigadas a amamentarem e criarem seus filhos dentro da unidade prisional e após um período as crianças são entregues aos seus familiares, são tiradas das mães.

E isto acontece com milhares de mulheres, com exceção da mulher de Cabral. Por que será que os juízes não concedem tal benefício as outras mulheres, se estes mesmos juízes juraram cumprir as leis e constituição?

(Jornal do Brasil)

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