/Ensaio de uma nova história de Nova Russas pelos métodos dialético, revisionista e da nova história! Por professor Tim

Ensaio de uma nova história de Nova Russas pelos métodos dialético, revisionista e da nova história! Por professor Tim

 
Como estamos na semana da emancipação política e administrativa de Nova Russas, que está comemorando e celebrando 94 anos de emancipacionismo, natural o ensaio com o título acima.
Mas não é um ensaio histórico de visão tradicional, conservadora, estática de nossa história. Pelo contrário! como expressa bem o título acima, trata-se de um ensaio para escrever uma nova história.
Uma nova história. Crítica. Dialética, Revisada e revisionista. Mais verdadeira. Detalhista. Mais metodológica, documental, científica.
Ou, em nome historicismo dialético e do revisionismo histórico, ou seja, analisar os fatos históricos nos aspectos da época em que se passaram, explicando seus sentidos e as determinadas épocas históricas em que ocorrem.
Aqui termino o preâmbulo para começar o ensaio.
Gênese do nosso povoamento…
Nosso povoamento teria ocorrido, segundo historiadores locais, no Século XVIII, com as primeiras sesmarias entregues ao Coronel Martins Chaves, dentro do território da Freguesia da Serra dos Cocos e do município mãe de Ipueiras -que ia da Serra da Ibiapaba até a fazenda Bargado, hoje município de Tamboril.
Verdade ou mito histórico?
Onde nasceu realmente Noba Russas? É preciso explicar melhor se é um fato verdadeiro ou apenas um clichê, o nascimento dela dentro da Fazenda Curtume -em que se curtiam couros para produção de produtos derivados do couros.
Mas se é apenas um clichê histórico mais repetido na História de Nova Russas, vão repeti-lo, apenas em fontes orais, não documentais, de que realmente Nova Russas nasceu dentro da Fazenda -terra de propriedade do capitão [Guarda Nacional], Bernardino Gomes Franco, mesmo que não existam documentos oficiais a provar tal fato, nem mesmo uma procuração particular.
Algo parecido outro fato histórico enraizado no senso comum, e que virou um clichê da historicidade leiga, sobre a doação de terras pelo casal Manoel de Oliveira Peixoto/Manuela Rodrigues de Oliveira não se sustenta.
Se eles doaram as terras, tudo bem, mas há outros doadores das terras onde está hoje situada a geografia urbana e territorial de Nova Russas.
Outro doador mais importante, talvez mais importante do que o outro famoso, foi João Lustosa (Capuchu), cuja rua mais importante da periferia foi batizada em seu nome, sendo hoje esquecido dos livros e dos anais da nossa história tradicional.
Como surgiu o topônimo de nossa cidade…
Cabe um revisionismo dialético no próprio nome oficial de nossa cidade. Errado afirmar que Nova Russas foi uma homenagem a São Bernardo de Russas, feita pelo padre Joaquim Ferreira de Castro -pois tal vigário nem sabia onde ficava Nova Russas.
A própria construção da Igreja Matriz é motivo de polêmica. Alguns dizem que foi em 1935, e a maioria afirmando que foi inaugurada em 1937.
Esquecimento histórico de Carneiro de Mendonça…
Uma das personalidades políticas mais injustiçadas nos 94 anos de Nova Russas, trata-se do estadista que oficializou a criação política e administração de Nova Russas, quando Ipueiras e o coronel Otacílio Mota queria a nossa cidade novamente distrito ipueirense.
Os próprios historiadores locais nunca valorizaram o principal mentor e intelectual da emancipação definitiva de Nova Russas, caso do interventor Carneiro de Mendonça, que, pela Lei 2043 de 1922, inspirada quando passou de trem por Nova Russas, então distrito da medieval Ipueiras, emancipou novamente Nova Russas em 1931.
O pior e o mais injusto contra Carneiro de Mendonça, é que não existe em Nova Russas uma rua, avenida ou mesmo uma travessa, com seu nome.
Injustiça total e absoluta.
Crime passional do coronel Veras…
Sobre o crime passional do coronel Antonio Rodrigues Veras, primeiro prefeito e assassinado num caso de briga passional com o vaqueiro Cesário Patrício, ocorrido no dia 25 de janeiro de 1926, pouco foi escrito.
Revoltosos e o coronel Veras…
Mais um historicismo dialético em relação ao Coronel Antonio Rodrigues Veras, quando da passagem dos revoltosos da Coluna Prestes, em 1926 -sob o comando do tenente João Alberto.
A visão romântica, idealista de alguns historiadores locais, de que o coronel Veras recebeu bem a Coluna Prestes, como se fosse um estadista, levando para sua casa [onde hoje é o Colégio Estadual], não tem sentido de ser.
Recebeu bem a Coluna Prestes, porque seu plano inicial de enfrentar os revoltos com homens e armas, conforme telegrama enviado ao governador Moreira da Rocha, não foi aceito. Revoltado por isso, aderiu aos revoltosos da Coluna Prestes.
Padre Leitão e o desenvolvimentismo…
Aplicar o historicismo dialético sobre a mais importante personalidade católica no Século XX, Monsenhor Leitão, é porque há duas vertentes históricas sobre ele.
Monsenhor Leitão, pároco da Paróquia de Nossa Senhora das Graças durante mais de 20 anos, foi extraordinário guia, profeta, missionário espiritual, avatar e sacerdote católico dos mais consagrados.
Foi Padre Leitão, com sua visão de progresso e de desenvolvimento, criou obras sociais e econômicas até  hoje existentes: Conjunto de prédios do Círculo Operário, Patronato Auxilium, Ginásio Monsenhor Tabosa, Casinhas de São Vicente [nosso primeiro conjunto habitacional, espécie de versão antiga do Minha Casa, Minha Vida].
Mas tem o lado doutrinário e ideológico do padre conservador e ligado à direita religiosa, adversário da Teologia da Libertação; vinculado à Arena/PDS e apoiador da ditadura militar, elegendo prefeitos vinculados ao regime de força e se tornando chefe espiritual e político.
Mesmo coisa serve para os padres vinculados à Teologia da Libertação, corrente à Esquerda da Igreja Católica, como o Padre Miguel.
Se, por um lado, Padre Miguel deve ser elogiado pelas lutas pela reforma agrária e pela organização dos trabalhadores, por outro lado, deve ser condenado quando destruiu altares e as mesas de comunhão da Igreja Matriz.
Padre Geraldinho: capítulo especial…
Se alguém biografar a passagem do Padre Geraldinho por Nova Russas, tem que dizer que foi um dos padres mais realizadores e benfeitores da Paróquia de Nossa Senhora das Graças.
Foi Padre Geraldinho, com apoio dos católicos e do poder público, quem construiu o mais bonito Arco de FátimaResultado de imagem para fotos e imagens de nova russas -o mais belo  do Ceará.
Construído para celebrar os 50 anos de passagem da imagem santa por Nova Russas e por outros municípios da região, tendo um sentido religioso, político e espiritual.
Intolerância religiosa em Nova Russas…
Quem viveu os anos 50 do Século XX se lembra dos atos de intolerância religiosas de padres católicos contra os primeiros núcleos de igrejas evangélicas e protestantes em Nova Russas, quando havia insultos verbais e agressões físicas contra os irmãos evangélicos e protestantes.
Ou da intolerância de grupos cristãos contra terreiros, casas e centros de umbanda e de macumba, surgindo, com suas tentas de caboclos e do orixás, logo no início de nossa emancipação.Não há registros históricos objetivos e codificados sobre os primeiros núcleos evangélicos e protestantes, ou mesmo quando foram edificados as primeiras tendas de Umbanda e de Candomblé em prol dos Orixás.
A história do historiador, intelectual e doutrinador espírita, Joaquim Soares -fundador do Espiritismo em Nova Russas e sua luta contra a intolerância religiosa- precisa ser contada pelos historiadores do futuro.
Tivemos ou não coronéis em Nova Russas?
Pela informação oficial, as patentes de coronéis e outros postos da guarda nacional, criadas por Dom Pedro II, foram extintas com a proclamação da República.
Daí ser errado chamar de coronéis algumas de nossas personalidades, como Artur Pereira, Antonio Rodrigues Veras, entre outros.
Do pouco material histórico  escrito sobre o ex prefeito e principal líder político local do começo do Século XX, Artur Pereira, aborda mais seus aspectos e valores negativos.
Sobre Artur Pereira, tido como um coronel ditador e sanguinário, tem que revisar algumas histórias, colocando os fatos dentro do historicismo.
Artur Pereira, com seus defeitos e qualidades foi um homem do seu tempo e de sua época, que era dominada por conflitos entre coronéis e seus jagunços.
Tem muitas estórias e histórias dele, algumas lendas, como o fato dele mandar os inimigos políticos comerem as cartas que eles escreviam para ele.
O certo é que ele foi um prefeito de uma certa visão de progresso, foi exportador de algodão e lutou pelo nosso desenvolvimento, dentro de suas limitações.
Revisando nossos ciclos políticos…
Foram vários. Teve o ciclo Artur Pereira, teve o ciclo doa gropeecuarista de Antonio Joaquim de Sousa, elegendo vários prefeitos: Dr. Almir, entre outros.
Na linha intermediária, após ditadura militar de 1964, houve o ciclo político da família Mourão, quando os primos José Maria Mourão e Vicente se tornaram prefeitos.
Teve o Ciclo EMPA, dos ex prefeitos Acácio, Iranede e Chico Rosa, que conseguiram alguns progressos para Nova Russas: Polo Industrial, Campus da UVA, urbanização da periferia, energização da zona rural etc.
E os nossos ciclos econômicos…
Seria bom lembrar dos nossos finados ciclos econômicos, dentro do sistema capitalista de produção, que deixaram de existir quando indústrias poderosas do Sudeste e dos Estados Unidos, com produtos sintéticos e mais baratos.
Foram assim encerros os nosso ciclos econômicos do algodão (ouro branco), da oiticica, da mamona, entre outros primários.
Chico Rosa ainda quis revitalizar o ciclo da mandioca, mas não deu certo, mas hoje está correto na Poupança Verde plantando árvores nativas.
Periferia também tem história…
Lugar comum os nossos historiadores e pesquisadores falarem apenas dos fatos e da história dos bairros ricos: Progresso, Timbaúba e outros.
Fatos e personagens históricos do Alto da Boa Vista, do Tamarindo, do São Francisco, são esquecidos da história oficial de Nova Russas.
Isso também na história novarussense das artes, das culturas, e dos movimentos sociais, esquecendo-se o poeta Alcides Ferro, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais, os Direitos Humanos etc.
Perguntas históricas que não querem calar… 
Mas há fatos que nunca serão revelados. Perguntas históricas que não querem calar:  Quem mandou matar Cesário Patrício e qual membro da família Barroso o obrigou a empurrar o trolho do Ipu até o distrito de São Pedro, onde ele veio a falecer?
Por que o 40 BI não ficou em Nova Russas? Por que a Algodoeira Gomes, as Casas Pernambucanas e os Armazéns Fortaleza foram embora? Por que o Polo Graniteiro do Chico Rosa foi um fracasso?
Que políticos de Nova Russas ajudaram na emancipação de Ipaporanga e de Ararendá, no final dos anos do Século XX?
Mais perguntas: Por que tantas obras paradas? O ex prefeito Manezinho Evangelista morreu de morte morrida ou de morte matada? Por que o açude Farias de Sousa foi construído em Flores e não em Segredo? Por que os empresários são péssimos prefeitos?
Presente ensaio é dialético porque a história é evolutiva e vive e sobrevive do evolucionismo permanente.
Não há tese fixas e dogmáticas no processo histórico.
Foi o nosso ensaio crítico e dialético.
Parabéns pelos 94 anos, Nova Russas!.

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