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Cunha interrompe entrevista após ser alvo de vaias e gritos de manifestantes

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O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi alvo de vaias e pedidos para que renuncie enquanto concedia uma entrevista coletiva nesta quarta-feira (21), no Salão Verde da Casa. Munidos de máscaras de papel com a foto do peemedebista, manifestantes gritaram palavras de ordem, como: “Fora, Cunha” e “Vá para a Suíça”.

Na última sexta-feira, documentos do Ministério Público da Suíça revelados pela TV Globo mostraram que Cunha é titular de contas em bancos na Suíça. Em março, em depoimento à CPI da Petrobras, ele afirmou que não tem contas no exterior. Cunha é alvo de uma representação no Conselho de Ética da Câmara dos partidos PSOL e Rede, que tentam cassar o mandato de deputado do presidente da Casa.

Parte do público que participou do protesto havia ido à Câmara acompanhar a votação, na Comissão de Direitos Humanos, de um projeto de autoria de Cunha que prevê punição a quem discriminar heterossexuais.

O projeto é conhecido por instituir a figura da “heterofobia”. Outro grupo havia participado da votação, na CCJ, de outra proposta de autoria do presidente da Câmara, que torna crime auxiliar uma gestante a abortar.

Também reforçaram os gritos de “Fora, Cunha” servidores do Judiciário que reivindicam a derrubada do veto da presidente Dilma Rousseff a um projeto que previa reajuste salarial de até 78% para a categoria.

A deputada Clarissa Garotinho (PR-RJ) se incorporou ao protesto e aderiu aos gritos para que o presidente renuncie. A parlamentar é filha do ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho, desafeto de Cunha.

O presidente da Câmara tentou ignorar os protestos e prosseguir com a entrevista, que já durava cerca de 10 minutos. Ele chegou a responder mais algumas perguntas, mas o barulho aumentou e inviabilizou a conversa com os jornalistas. Enquanto Cunha deixava o Salão Verde alguns integrantes do Movimento Brasil Livre também gritaram “Fora, Dilma”.

Antes de deixar o local, ele foi perguntado sobre o que achou da manifestação. “Essa é uma Casa democrática. Todos tem o direito de se manifestar”, respondeu. Questionado sobre a presença da deputada Clarissa Garotinho, Cunha disse:  “Foi só um parlamentar. A casa tem 513”.

A servidora pública Rosa Ciminiana dos Santos era uma das manifestantes mais exaltadas. Ela estava na Câmara para protestar contra o projeto da “heterofobia” e aproveitou a entrevista no Salão Verde para cobrar a renúncia de Cunha. “Como que um homem que tem contas na Suíça, comprovadas pelo Ministério Público da Suíça, está solto aqui?”, questionou.

O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) comentou a manifestação ocorrida no Salão Verde. Ele defende o afastamento de Cunha desde as primeiras denúncias de que o peemedebista poderia ter envolvimento no esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato.

“O parlamento está tenso, desgastado, perdeu a capacidade de atuar. Eu conversei com alguns parlamentares entusiastas do impeachment de Dilma e falei que esse procedimento, com Cunha na presidência, fica sob suspeita, sob suspeita de barganha. Espero que, nas ruas, haja um clamor em relação a toda essa corrupção”, disse.

‘Motocicletas’
Antes de interromper a entrevista, Cunha respondeu a perguntas sobre a possibilidade de o governo rever a meta fiscal prevista para 2015. Segundo o Blog do Camarotti, integrantes da Junta Orçamentária do governo devem apresentar à presidente Dilma Rousseff, em reunião nesta quarta, uma projeção de déficit de, no mínimo, R$ 50 bilhões no Orçamento deste ano.

Mais cedo, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, afirmou que há uma perspectiva de “frustração de receitas” antes esperadas para este ano e que isso pode gerar a necessidade de uma nova revisão da meta fiscal fixada para o ano de 2015.

Além da frustração de receitas, as chamadas “pedaladas fiscais” – que consistem no atraso dos repasses para bancos públicos do dinheiro de benefícios sociais e previdenciários – também estão sendo consideradas pelo governo na possibilidade de revisão da meta fiscal deste ano. Isso porque, em algum momento, esses valores terão de ser pagos, o que impactará o resultado da contas públicas.

Eduardo Cunha classificou as pedaladas fiscais de “motocicletas”, devido ao volume de recursos que deixou de ser pago aos bancos públicos, e criticou o que chamou de “contas mascaradas do governo”.

“No ano passado, quando o governo enviou a meta da LDO o governo já deveria ter zerado as contas das chamadas pedalas. Não fez. Empurrou a conta para esse ano. Não tem condição de você conviver com contas mascaradas. O governo continuar fingindo. O governo tem que aprender a fazer superávit real. O governo não conseguiu fazer isso até hoje”, disse.

Ele afirmou considerar “correto” que a equipe econômica seja clara quanto à verdadeira situação fiscal do país esse ano, ainda que reveja o resultado para o déficit de mais de R$ 50 bilhões.

“Com esses erros do governo você diminuiu a arrecadação e aumentou o buraco para chegar a 50 bilhões. O governo tem que dar um basta e corrigir. Acho que, se for fazer isso, reconhecer, pagar tudo e colocar a conta real, acho correto. A pedalada já está virando motocicleta. Saiu da bicicleta e foi para motocicleta.”

(G1)


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