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Grupo cria manifesto em defesa do forró como patrimônio cultural do Brasil

O forró de Luiz Gonzaga, de Dominguinhos, de Jackson do Pandeiro, de Marinês. O forró que faz parte da história do Nordeste e do Brasil, que conta um pouco da musicalidade brasileira, que une o País em passos arrastados dos pares que dançam sob o tilintado do triângulo, o tum tum da zabumba e o resfolegado da sanfona. O forró que motivou um trio formado por uma paulista, um maranhense e um cearense a criarem um movimento em defesa desse ritmo como patrimônio cultural e imaterial do Brasil.

Gisela Pedroso, Edson Junior e Eder Soares criaram o movimento “Forró, alma brasileira”. Eles acreditam que o forró tenha tanta importância como o samba e o frevo, ritmos que já foram consagrados como legados da cultura brasileira. O manifesto encabeçado por eles foi enviado para o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para ser analisado, mas demora em média quatro anos para ser registrado.

O professor de dança cearense Eder Soares conta que dança forró desde criança e que já vem de uma família tradicional de forrozeiros. Conheceu Edson e Gisela em São Paulo, onde viaja para dar aulas. “Como eu dou aulas em diversos estados, eu percebi que o forró é o ritmo mais dançado no Brasil inteiro, mas é muito mal cuidado”, afirma.

Para conseguir visibilidade para o manifesto, o trio inscreveu o projeto em site de financiamento coletivo e criou um abaixo-assinado online para conquistar adeptos. Edson procurou artistas ligados à cultura forrozeira e recebeu o apoio ao manifesto de Elba Ramalho, Janaína Pereira e de Dominguinhos, onde foi pessoalmente ao hospital falar com o cantor.

Em meio à “briga” entre a região Sudeste e Nordeste, principalmente depois das eleições de 2014, Eder diz que o forró ajuda a diminuir as diferenças. “Pra mim isso é muito forte. Através do forró, eu tenho trabalhado muito em São Paulo e no Rio, em congressos de forró, para dar aula e existe sim essa ‘richa’, mas dentro do forró, os nordestinos são muito mais respeitados. É através dele que as pessoas de lá querem saber mais da nossa culinária, do nosso jeito de falar. Muitas pessoas que eu conheço acabam vindo pra cá, pra fazer turismo porque conheceu pelo forró. O forró une mais o Brasil”, explica.

Vale ressaltar que o ritmo pelo qual o trio defende é forró Pé de Serra. A mistura do côco, do xote, do baixão e do xaxado que os brasileiros aprenderam a chamar de forró. Eder acredita que o Forró Eletrônico – classificação dada ao ritmo levado por bandas como Aviões do Forró, Garota Safada e Solteirões do Forró – não precisa ter seu reconhecimento como um patrimônio cultural, pois virou um produto mercadológico. “O eletrônico não depende disso. Ele tá dentro de um mercado que não precisa desse reconhecimento. O ‘pé de serra’ tá sendo esquecido por causa do ‘novo forró’. O eletrônico não tem características do Nordeste, é ‘pop star’, globalizado. Estamos pensando nos grandes mestres que lutaram por isso, que mostraram o forró pro mundo independente do capitalismo que gira em torno”, finaliza.

REDAÇÃO DO CEARÁ NOTÍCIAS

*Tribuna do Ceará

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